Relato BRM 200km: Antonio Carlos

Aprendi muita coisa lendo os relatos e acho que aqui se forma uma base de conhecimento bem interessante, então aqui vai minha contribuição.

No último dia 5, participei do meu primeiro BRM.
Depois de ler boa parte deste tópico, ler os relatos e etc, tomei coragem e me inscrevi no Mogi-Igaratá do Randonneurs Mogi.
Fiz a inscrição, estudei bem o percurso, coloquei pneus finos na mountain bike 29″ (Deli Tire 38), fita anti-furo, 2 caramanholas, uma mochila de hidratação, gel, dextrose e fui.
Minha esposa fez questão de me acompanhar,também com uma mtb 29″.
Uma semana antes, fizemos um treino de 100km. Já tínhamos feito distâncias assim na terra, e uma cicloviagem.
Saímos de São Paulo lá pelas 5:30 e 1h depois estávamos fazendo a vistoria. Comemos pão, frutas e suco pouco antes da largada às 7hs.
Seguimos confiantes em direção ao PC 1 em Salesópolis, km 46 onde chegamos 1 hora antes do fechamento. Tomei uma coca, comprei 2 garrafinhas de água e partimos rumo à Serra de Sta Branca. Os PC’s eram todos virtuais, então era necessário comprar algo e guardar o comprovante.
Apesar de bonita, deserta e com pouco movimento, é uma serrinha razoável onde precisei empurrar em alguns pontos e parar p/ tomar um gel em outros. Faz parte
Chegando na cidade, paramos em um boteco para comprar mais água. Tomei uma tubaína e minha esposa um gatorade. No próximo Audax ao atravessar uma serra, vou lembrar de parar para comer algo bem “consistente”, tipo um PF ou lanche. Seguimos em direção à Rod Carvalho Pinto a uns 10 km dali. No caminho, parei para ajustar a inclinação do selim pois estava incomodando bastante. Entre Sta Branca e  a Carvalho Pinto deve haver uns 120m de altimetria, e a essa altura já era bastante. O Sol nos acompanhava desde as 8 da manhã e o calor estava insuportável.
Ao cruzar a rodovia, vi 2 ciclistas passarem reto e segui sem pensar, afinal o caminho era uma bela descida. Chegando lá em baixo, uma placa apontava para o caminho contrário. Agora teríamos que subir de volta mas tínhamos tempo e eu estava bem confiante
Após o erro de uns 4 km, finalmente chegamos na rodovia, que não tem nenhum posto ou local de abastecimento de água. Éramos torturados pelo sol e eu me sentia uma formiga sendo queimada com uma lupa. O selim incomodava demais, não achava posição apesar de ter feito 2 ajustes.
Para piorar a situação, o pneu traseiro furou. Em meia-hora o que era confiança virou desespero. Sol a pino e nenhuma sombra p/ trocar o pneu… Andei uns 2km pela rodovia até finalmente encontrar uma sombra precária que mal vencia o Sol.
Quando sentei na grama percebi que estava sem forças. Troquei a camara com muita dificuldade e ajuda da minha esposa. Apesar de estar sentado, e descansado minha respiração estava curta e ofegante, além disso tinha tonturas. O calor era infernal. Como já tinha passado por isso antes, sabia que precisava de um isotônico. Ainda bem que tínhamos levado uns envelopes. Misturei na caramanhola e tomei de uma vez. Quando acabei de montar a roda me sentia muito melhor e seguimos, com um Sol p/ cada um.
Chegamos na Rodovia Dom Pedro com tempo ainda. De carro, a rodovia parece plana mas na verdade é um tobogã com subidas de até 5km e nas descidas, o vento contra reduzia bastante a velocidade. A essa altura, a fadiga já estava instalada e não tinha certeza de que chegaríamos a tempo no PC2.
Avistei uma sombra a uns 100m da rodovia e atravessei o mato em busca de um refresco. Tive que disputar a sombra com um cachorro, um cavalo e sua charrete. A dona da casa veio perguntar se precisávamos de algo. Fiquei lá deitado uns 20 min. Decidimos seguir até Igaratá, minha esposa pedalando e eu me arrastando pelo cansaço e pelas assaduras. Ainda tive um raio quebrado na roda traseira que a deixou desalinhada.
Levamos 5h para percorrer os 25km da Carvalho Pinto até Igaratá. Sem forças, pegamos um ônibus da Breda direto p/ Mogi (para os próximos, lembrem-se dessa “facilidade”.Wink O último sai às 17:30). A motorista foi muito solícita e me ajudou a colocar as bicicletas no bagageiro.
Aos 116 kms, fim de Audax para nós… Ouch
Apesar de ter lido muitos relatos, assistido a vídeos no youtube, cometi alguns erros que contribuíram muito para o fracasso desse Audax,  que foram:
Dormir pouco – Quando somos inexperientes levamos muito mais tralha que o necessário e ainda esquecemos coisas. Fiquei arrumando as coisas e fui dormir a 1h da manhã para acordar às 4:15
Seguir outros ciclistas ao invés de ler a carta rota – Estudei o percurso e caí na tentação de seguir os outros ao invés de olhar a carta rota no meu bolso.
Esquecer vaselina – Uma alternativa super barata ao Chamois. Funciona muito bem comigo, sempre usei nos pedais longos e nunca tive problemas. Esqueci o pote em algum lugar e não dei importância. Uma hora parecia que o selim estava em brasa, não conseguia encostar nele.
Pressão dos pneus – fiz o longo uma semana antes, pedalei na cidade e achei não que precisava recalibrar. Mas numa prova longa faz  uma diferença enorme. Quando o pneu traseiro furou, enchi com a bomba o máximo que pude, que para um pneu 38 deve ser 75-80 lbs. Percebi que mesmo exausto
minhas pedaladas rendiam muito e conseguia desenvolver bem.
(Será que o raio quebrado tem a ver com o excesso de pressão num aro de MTB? Alguém sabe?)
Isotônico – Tomo remédio para hipertensão e imaginei que meu corpo tendesse a reter mais sal e como não tenho cãibras, achei desnecessário tomar isotônico nos primeiros 100. No treino longo, com clima ameno tomei somente água e funcionou. Mas no Audax o Sol esteve na cara o tempo todo e perdi muitos sais.
Minha rápida recuperação uns 20 minutos depois de ter tomado deixou bem claro a eficácia dos isotônicos.
Escolha suas lutas –  Para um 200, altimetria de 3000m não favorece pessoas mais “encorpadas”. No meu caso, talvez seja incompatível, independente do preparo físico. Gostaria de conhecer alguma histórias que me contradissessem.
Bem, esse foi o primeiro que participei. Espero que venham outros e que possa concluir. Big smile
canudos 2

Imagem aleatória. Sem imagem, ninguém lê o post. 

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3 Responses to Relato BRM 200km: Antonio Carlos

  1. Susana says:

    Tonico (Antonio Carlos), você cometeu erros básicos para uma prova dessas. Eu, que desde o início nunca imaginei participar de uma prova assim, acabei me inscrevendo só para te acompanhar, porque fiquei com medo que te acontecesse o pior. Mas fui com a intenção de não chegar sozinha, porque temos que chegar juntos…. Não estou acostumada em pedalar o dia todo, ainda mais me arriscando no asfalto, cheio de caminhões e carros. Prefiro muito mais as trilhas no meio do mato. Mesmo assim, já que você realmente quer vencer esse desafio, ultrapassando seus limites, então vamos treinar mais e mais……… e que venham os próximos 200 km !!!!

  2. marcelo bernardini vulgo cabeção says:

    ola Antonio Carlos eu lembro de vocês dois de MTB , na minha opinião vocês deveriam adquirir um Speedy porque neste tipo de desafio prefiro Speedy desenvolve mais do que MTB a diferença e enorme, apesar da minha primeira serie do audax fiz até os 300km de MTB kkk, quanto a alimentação todas as paradas comia coxinha, esfhia, pastel, coca cola, cafe, e sempre na metade do pedal almoçar comer macarrão, purê, file de frango, carne branca,coca cola cafe pacoca bananinha, quando sol estiver a pino você tem que se molhar em qualquer lugar , cachoeira, bica e se alguém te oferecer ajuda aceite peca água um balde e se molhe todo para esfriar o corpo, dormir é de cada pessoa eu consigo ate os 400km, vaselina nunca precisei kkkk no caso de pessoas encorpadas não procede conheço bikers que fizeram os 1000km e que eram gordinhos kkkk, nao levo nada nas costas depois de alguns km a bolsa de hidratação começa a ficar pesada, eu sigo tos ciclistas estudo pouco a rota que nao é aconselhável ja me perdi varias vezes e ja estou famoso por isto kkkkk estamos ai parabéns pelo esforço que venham osa proximos qualquer coisa e so dar um alo e quando for treinar treine subidas ABS ..
    .

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