Flèche Brasil SP com o RMC

IMG_3650

Cunha (aquela cidadezinha perdida no meio da foto) vista da estrada Cunha x Paraty, com detalhe para as seguintes serras ao fundo: (a) Serra da Bocaina à direita da foto, em segundo plano; (b) Serra do Quebracangalha ao centro, em terceiro plano; (c) Serra da Mantiqueira ao centro e à esquerda, e em quarto plano. 

Apresentação

Entre 30 de março e 1o de Abril de 2018 iremos realizar o primeiro Flèche Brasil SP organizado pelo Randonneurs Mogi das Cruzes. A Reunião de Páscoa está agendada para o domingo (de páscoa!), tendo como ponto de concentração a encantadora cidade de Cunha, no interior do Estado de São Paulo.

Uma característica bem forte do Clube Randonneurs Mogi das Cruzes é de buscar a autossuficiência dos participantes. E nada melhor do que o Flèche Brasil SP para reforçar esta característica.

Nós da organização ficaremos responsáveis pelas comunicações e acompanhamento a distância das equipes durante o evento, e recepcionaremos todos os times em Cunha. Contaremos com o suporte de poucos voluntários, pois  nossa intensão é sempre propiciar um evento o mais inclusivo o possível, de preços reduzidos e minimizando custos.

Porque Cunha?

Cunha é sinônimo de caminhos e aventuras!

Fundada na borda do ancestral caminho indígena conhecido como Trilha dos Guaianás, desbravado ainda no século XVI por portugueses que perseguiam os índios Tamoios (então aliados dos franceses), Cunha (que também já se chamou Boca do Sertão e mais tarde Freguesia do Falcão) se tornou já no século XVII um centro de apoio nesta rota que hoje é conhecida como o Caminho Velho da mais do que famosa Estrada Real.

Intimamente ligada com a história do Brasil, a cidade está diretamente relacionada com a história do desenvolvimento do Vale do Paraíba e do Estado de Minas Gerais, pois era passagem obrigatória para o ouro que seguia para o porto de Paraty (e de lá para o Rio de Janeiro, tendo como endereço certo o Reino…) e também para as tropas de mulas que saíam deste mesmo porto levando todo tipo de bens de consumo e de produção para as então chamadas Minas Geraes.

De tão difícil que se apresentavam as subidas e serras que a cercavam, estas entraram para a história com o nome de Serra do Quebracangalha (cangalha segundo o dicionário michaelis: artefato, geralmente de madeira, acolchoado, que se coloca no lombo das cavalgaduras para pendurar carga). As mulas e os tropeiros sofriam muito pra superar as inúmeras subidas da região e muitas vezes as cangalhas que sustentavam as cargas acabavam quebrando, tornando o caminho de Paraty a Cunha um dos trechos mais difíceis e demorados de toda a Estrada Real… qualquer semelhança com a atual dificuldade que nós ciclistas enfrentamos na região não é mera coincidência!

É uma Terra rica de histórias e causos. Em um pedal recente por lá, em levantamento para uma possível rota alternativa para um brevet misto, encontramos a seguinte placa: Aqui nesta várzea, no dia 23 de julho de 1924, aterrisou um avião monomotor modelo curtiss, devido problemas mecânicos. O avião transportava uma bomba com 3 quilos de dinamite, 50 mil panfletos e se dirigia ao Rio de Janeiro para bombardear o Palácio do Catete e convocar os cariocas para a revolução de 24. O avião era pilotado pelo alemão Carlos Herdler e comandado pelo Tenente Eduardo Gomes, futuro fundador do correio aéreo nacional. Brigadeiro, Marechal de Ar, e Patrono da Força Aérea Brasileira.

A história passava por Cunha… mas também era escrita em Cunha. Relevante palco de batalhas na Revolução Constitucionalista de 1932, ponto estratégico de ligação entre o Rio de Janeiro e São Paulo, foi invadida por um batalhão da marinha do Rio de Janeiro que teria supostamente como objetivo chegar à capital paulista. Os praças paulistas ofereceram árdua defesa contras as tropas federais. E Cunha tem inclusive o seu mártir nesta batalha. Não é à toa que a rodovia que liga Guaratinguetá à Cunha leva o nome do agricultor cunhense Paulo Virgínio, considerado um mártir da causa constitucionalista, tendo sido torturado e morto pelas tropas federais sem entregar a localização das tropas paulistas (hoje sepultado no Mausoléu Obelisco MMDC, no Ibirapuera, juntamente com outros mártires da causa constitucionalista). Para quem já pedalou pela região o nome da rodovia não é desconhecido… mas para quem já foi para as trilhas, pode até mesmo ter visto e se deparado com uma das trincheiras que sobreviveram ao tempo.

Com toda esta história rica e natureza exuberante, localizada entre as Serras do Quebracangalha, do Mar e da Bocaina, Cunha é exigente com os ciclistas que lá se aventuram. Está dentro da área de influência e é passagem de inúmeros eventos organizados pelo Randonneurs Mogi das Cruzes. Por lá passaram só no ano-calendário de 2017 o BRM 200 Misto de São Luiz do Paraitinga e os BRMs 300 e 400 de Guaratinguetá. É parte relevante da Super Randonneur Permanente de Guaratinguetá, e também estará no caminho daqueles que resolverem se desafiar no LRM RMC 1300 km, o primeiro LRM que girará em terras tupiniquins.

É, portanto, o cenário ideal para a concentração de uma Flèche organizado pelo nosso querido clube!

O que é a Flèche Brasil SP?

As Flèches são eventos anuais realizadas em várias regiões ou países, durante a primavera do hemisfério norte (nosso outono), em que equipes de ciclistas seguem para um destino comum, partindo de vários pontos. As equipes devem pedalar durante 24 horas para cobrir a maior distância possível (pelo menos 360 km). Após o passeio, todos os participantes se encontram e comemoram juntos.

A mãe desses eventos é a Flèche Vélocio, criada em 1947, em que equipes partem rumo ao tradicional ponto de encontro de Páscoa, em Provence (França). Para responder a uma demanda crescente de randonneurs franceses e estrangeiros, que querem se encontrar em um local fora de Provence, o Audax Parisien Clube também passou a promover e homologar eventos de equipe criados após o Flèche Vélocio: as Flèches Pascales (na França ) e as Flèches Nationales (no exterior – caso do nosso Brasil).

As Flèches Nationales também podem ser chamadas de National Arrow (Setas Nacionais), Easter Arrow (Seta de Páscoa), ou o nome de um país, uma região, ou uma pessoa famosa. No Brasil o nome escolhido foi Flèche Brasil.

Todos os eventos Flèche, sancionados pelo ACP, devem ser executados de acordo com as regras da Flèche Vélocio. A data do evento tradicional é a semana da Páscoa, mas para regiões com neve durante este período, pode ser realizada até o final de maio.

Todas as equipes devem começar o pedal entre a madrugada de sexta-feira ou madrugada de sábado, seguindo para o ponto de concentração. Pelo menos 360 quilômetros devem ser cobertos em 24 horas – e pelo menos 25 quilômetros nas últimas duas horas. Em razão do formato do evento, pode-se inclusive dizer que é o único e verdadeiro Audax organizado e homologado pela ACP!

Eventualmente, no sábado ou domingo de páscoa de manhã, as equipes se encontram na chegada, para conversar e comemorar juntos. O que importa é a amizade que se constrói ao superar o desafio de pedalar 24 horas juntos, sempre no ritmo daquele que está mais cansado em um determinado momento, e ainda assim conseguir concluir o trajeto!

(fonte: www.randonneursbrasil.org.br)

Inscrições e cronograma

As inscrições estão abertas à partir da data de publicação deste post no site do Randonneurs Mogi das Cruzes, e permanecerão abertas até o dia 23 de Fevereiro de 2018, com uma taxa de inscrição de R$ 350,00 por time, independentemente do número de participantes de cada time.

Para a efetivação da inscrição é preciso que o capitão de rota:

(i) Preencha o formulário de inscrição neste site do RMC (link para efetuar inscrição), forneça comprovação de que é super randonneur, apresente o nome do time que irá liderar e recolha a taxa de inscrição até o dia 26 de fevereiro de 2018;

(ii) Envie para o organizador, até o dia 28 de fevereiro de 2018, sua opção de rota até o local de concentração e o cronograma;

(iii) Envie ao organizador, até o dia 28 de fevereiro, os dados dos participantes da equipe, contendo entre outros: nome, data de nascimento, RG, CPF, telefone e e-mail para contato.

Os itens (ii) e (iii) acima deverão ser cumpridos com o preenchimento e envio da seguinte planilha aos organizadores: Inscrição – Flèche Brasil – Randonneurs Mogi das Cruzes

Ou seja, a Flèche seguirá o seguinte cronograma:

  • de 25 de janeiro a 23 de fevereiro de 2018 – prazo para inscrição dos times no site (a ser realizada pelo capitão de rota);
  • 26 de fevereiro de 2018 – data limite para o pagamento da taxa de inscrição;
  • 28 de fevereiro – data limite para (i) submissão de rotas e (ii) submissão dos nomes dos ciclistas que comporão o time inscrito – poderá ser feita pelos times assim que o pagamento da taxa de inscrição for confirmado;
  • 05 de março – data limite para a primeira análise da rota pela organização;
  • 11 de março – data limite para o capitão de rota revisar e devolver a rota revisada de acordo com as solicitações feitas pela organização;
  • 17 de março – validação final das rotas e dos times;
  • 20 de março – reunião virtual com os capitães de rota para discussão e fechamento do evento.

Vale destacar que por questões de organização interna, a pessoa responsável pela interlocução com os capitães de rota dentro do nosso clube será o Rodrigo Roux (e-mail rodrigo.roux@randonneursmogi.com.br)

A lista de capitães de rota inscritos pode ser consultada aqui: Lista de Capitães Inscritos

Da aprovação da rota

É obrigação do capitão de rota enviar a rota proposta por seu time para os organizadores do Randonneurs Mogi das Cruzes até o dia 28 de fevereiro, contendo o maior detalhamento rodoviário possível, listando:  (a) local e horário de largada; (b) locais dos pontos de parada e horários estimados de passagem; (c) quilometragens totais e parciais dos trechos e pontos de parada; (d) local onde pretende estar na 22ª hora – nós do Randonneurs Mogi das Cruzes damos preferência por rotas elaboradas pelo sistema eletrônico do site RideWithGPS, elaboradas com todas as marcações de passagens e pontos de controle, e em especial a programação para a 22a e 24a horas, no entanto é obrigatória a elaboração de uma planilha detalhada e também o fornecimento de um primeiro rascunho da carta de rota.

Analisada a rota, nós do Randonneurs Mogi das Cruzes entraremos em contato para dirimir dúvidas e ajudar a discutir a rota, caso esta não seja aprovada de imediato por qualquer motivo, até o dia 5 de março. No período de 5 a 11 de março os capitães de rota deverão atualizar e revisar a rota de acordo com as sugestões e solicitações recebidas da organização. Nós validaremos então a versão revisada e, com a aprovação, convidaremos todos os capitães com rotas aprovadas para o congresso técnico, que será uma reunião virtual previamente agendada para a noite do dia 20 de março (poderemos revisar esta data).

Vale lembrar que o Randonneurs Mogi das Cruzes se reserva o direito de não aprovar uma determinada rota em razão de motivos de segurança ou outros que entender pertinente, tais como eventuais dúvidas sobre o cumprimento ou não da normativa aplicável ao evento. Na elaboração da rota é importante relembrar que: (a) nenhuma rota que inclua a Rodovia Presidente Dutra (BR-116) será aprovada, em razão do tráfego intenso e dos inúmeros pontos de estrangulamento existentes (pontes, viadutos e trechos em subida em que o acostamento é inexistente com altíssimo índice de acidentes); (b) a rota a ser apresentada deve representar o caminho mais direto possível entre dois pontos específicos – a largada e a chegada (além, obviamente, de apresentar o menor percurso possível entre dois pontos de controle intermediários – a organização poderá solicitar que o capitão de rota crie pontos de controle adicionais, em razão da rota apresentada).

Existem alternativas para a Dutra que deverão ser consideradas nas rotas que os capitães de rota irão criar – e ficaremos sempre à disposição para ajudar a encontrar alternativas à Dutra.

Ficaremos acessíveis para tratar de todas e quaisquer dúvidas dos capitães de rota. Para isso criamos um grupo de discussões de WhatsApp e oportunamente poderemos organizar discussões virtuais com todos via Skype para finalizar a rota.

Regulamento

Conforme nos ensina os regulamentos detalhados que podem ser obtidos no site do Randonneurs Brasil (recomendamos a leitura de todos em www.randonneursbrasil.org.br), e resumo obtido no mesmo site:

– Cada equipe é limitada a um máximo de cinco membros e um mínimo de três membros (veículos com mais de um randonneur, por exemplo, tandens, contam como um único membro).

– As equipes devem percorrer o trajeto proposto durante 24 horas (paradas para descanso não podem exceder 2 horas). Todos os membros da equipe devem percorrer a mesma distância.

– Cada equipe define e traça a sua própria rota, com a obrigação de percorrer, pelo menos, 360 km durante as 24 horas – a rota deverá ser aprovada previamente pela organização do Randonneurs Mogi das Cruzes.

– O capitão de rota, ou capitão da equipe, deve apresentar uma proposta com percurso detalhado e cronograma para o organizador local. O organizador verifica o cronograma e determina os controles ao longo da rota.

– Nenhuma rota que inclua a Rodovia Presidente Dutra (BR-116) será aprovada, em razão do tráfego intenso e dos inúmeros pontos de estrangulamento existentes (pontes, viadutos e trechos em subida em que o acostamento é inexistente com altíssimo índice de acidentes).

– A rota a ser apresentada deve representar o caminho mais direto possível entre dois pontos específicos – a largada e a chegada (além, obviamente, de apresentar o menor percurso possível entre dois pontos de controle intermediários – a organização poderá solicitar que o capitão de rota crie pontos de controle adicionais, em razão da rota apresentada).

Como a reunião acontecerá no domingo, as equipes podem largar a partir de sexta-feira 06:00 até sábado às 10:00. Equipes diferentes não podem andar juntas. Se várias equipes usam o mesmo ponto de partida e o mesmo caminho, os horários de partida das equipes devem ser espaçados em pelo menos uma hora de intervalo.

As equipes devem ter sua localização e tempo anotados, nos pontos de partida e em cada controle designado. Durante a 22ª hora, e no final da 24ª hora, a hora exata e o local da equipe devem ser anotados no passaporte, seja qual for sua localização. Um mínimo de 25 km deve ser percorrido entre as duas verificações.

Não é necessário que as equipes cheguem ao seu ponto de chegada anunciado ou que eles parem por ali. A localização no final da 24ª hora anotada no passaporte será considerada para a homologação. Por exemplo: você começa sábado às 9h. Você deve obter os comprovantes de passagem domingo, às 7hs (22ª hora) e, em seguida, pelo menos 25 km depois, às 9h (24ª hora).

Não são permitidos carros de apoio acompanhando a equipe. Carros de apoio são permitidos somente durante as paradas programadas em seu planejamento de rota.

Como sabem, nós do Randonneurs Mogi das Cruzes organizamos eventos randonneurs focados na pura autossuficiência, quase sempre com pontos de controle virtuais.  Isso não significa que não será responsabilidade do capitão de rota portar o passaporte durante o tempo que perdurar o evento, fazendo constar neste os horários de passagem nos pontos de parada indicados e guardando os respectivos comprovantes de passagem.

Em razão do tipo de evento, daremos preferência para cupons fiscais ou comprovantes de cartão de crédito ou débito que tenham o nome do estabelecimento, o endereço e o horário da passagem. Organizem-se para terem este material!

Para a Flèche ser certificada pela ACP é necessário que:

(1) Pelo menos três membros da equipe percorram a mesma distância e cheguem juntos ao final da 24ª hora. Somente os três membros que terminarem receberão a homologação.

(2) A distância final percorrida (respeitadas as regras da 22a e 24a hora), deve estar dentro de mais ou menos 20% da quilometragem planejada (com um mínimo absoluto de 360 km). Ou seja, se o planejamento for de 420 quilômetros, a distância mínima seria 360 km mesmo (já que 420 – 20% = 336); já se o planejamento for de 500 quilômetros, a distância mínima a ser percorrida é de 400 quilômetros (500 – 20% = 400). No mesmo sentido a distância máxima – se o planejamento for feito para 360 quilômetros, o máximo que o time poderá pedalar até chegar na 24a hora será 432 quilômetros (360 + 20% = 432).

(3) Percorrer pelo menos 25 quilômetros entre a 22ª e 24ª hora.

(4) O capitão da equipe ou um representante estar presente na Reunião de Páscoa (ponto de concentração), no domingo, entre 08:00-10:00hs, e apresentar os passaportes ao organizador.

O regulamento completo pode ser acessado no link:

http://www.randonneursbrasil.org/regulamento-fleches-brasil/